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2º Informativo www.santiago.com.br |
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Veja neste número:
Textos Originais
“Dona Maria”, de Guy Veloso Notas do Caminho Novos depoimentos de Peregrinos |
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UM
SONHO Cris
Takeda Por
vezes corri, outras parei. Agora tento apenas caminhar. Ouço o som que
silencia pelo ar e tento
encontrar o ritmo dos meus passos, nem muito rápido ou lento demais.
Valsa difícil de aprender! Cresci
ouvindo e vendo minhas histórias como espectadora de fatos que ignorei
por não compreendê-los, acusando
os motivos errados e me desencontrando de minha face. Hoje, os assuntos mal resolvidos voltam a mim, porque é impossível
fugir do auto-conhecimento.
Minhas
feridas, antes pouco percebidas, agora se abrem. É preciso estancar o
sangramento e deixar que as cicatrizes mostrem suas lições. A vida se
impõe sobre a alma como raios de sol, que ignoram a vã proteção de
janelas, blindadas ou não. Sinto
o Caminho de Santiago como esta luz sem comandos, que pacientemente
insiste em banhar cada dia com o sonho de realizar sonhos. De dar o passo
seguinte com a certeza de que nada é em vão, e que lutar contra o
destino e a natureza do amor é estar machucando a si próprio.
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Guy
Veloso Dona Maria
Fernanda Rodrigues da Cunha Barreto era uma senhora
rotunda, expansiva, de muitos gestos e palavras. Vivia em São Romão
de Neiva, arraial vizinho a Viana do Castelo. Ela não sabia, mas naquele
dia frio eu passava pela porta de sua modesta casa, com um peso nas costas
maior que minha capacidade física para carregar a pesada mochila por
ainda duzentos quilômetros. Ela
não sabia, mas naquele dia eu não havia almoçado, simplesmente porque
era domingo, e não havia nenhum estabelecimento aberto. Não sabia que
meus tornozelos ardiam em tendinites. Não soube de minha solidão. Ela não
sabia — mas supunha — que a chuva logo banharia aquelas bucólicas
paisagens verdes de Camões, Pessoa e Saramago; panoramas do Caminho
Português a Santiago de Compostela.
Mesmo
assim, sem nada saber de mim, senão que eu era um peregrino, Dona Maria
Fernanda Rodrigues da Cunha Barreto tomou minha mão e me levou para
dentro de seu lar. Ofereceu café servido em duas finas xícaras de
porcelana, daquelas que se guardam para visitas e dias especiais e que
acabam virando peça de decoração da casa, até as crianças tratarem de
quebrá-las. Sem pensar duas vezes, ela requentou pedaços dilacerados de
um porco no fogão — que era para o jantar — e deu-me de comer. Isso
mesmo. Em pleno século XX, alguém se dispôs a parar seus afazeres
cotidianos e ajudar quem passava por sua porta. Desinteressadamente.
Amorosamente. Independente de laços afetivos anteriores ou lucros
financeiros imediatistas. Só pela alegria de servir. Só pelo prazer em
ser útil.
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NOTAS DO CAMINHO
Até a próxima! |
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NOVOS DEPOIMENTOS DE PEREGRINOS
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