30 dicas extras

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Mais 30 sugestões para quem vai fazer o Caminho
(a partir de Roncesvalles).

1- (Km 0) Em Roncesvalles, não deixe de receber a bênção de partida dos peregrinos, ao término da missa na Igreja de Santa Maria (geralmente ao final da tarde), obedecendo antigos ritos medievais. Imperdível!


2- (Km 63) Na Vila de Muruzábal, entre Pamplona e Puente la Reina, não deixe de desviar-se um pouco da Rota (20 minutos) para conhecer a igreja românica de Eunate, antiga possessão dos Cavaleiros Templários para mim, o mais bonito monumento do Caminho. Este templo não se encontra em nenhuma cidade ou vila: está isolado em meio aos campos verdes de Navarra. Procure antes saber os horários de abertura (que podem variar ao decorrer do ano). No verão de 1999, os horários eram: de terça a domingo, de 10 às 13 e de 16 às 19. Mas, se for segunda-feira, você pode apelar para a caridade do povo espanhol aos peregrinos e pedir, em uma casa de pedra ao lado da igreja, onde vive a encarregada pela conservação, para abrirem para você o templo.
Novidade: nesta casa funciona desde 2002 um albergue de peregrinos. Recomendo que você calcule sua etapa de caminhada do dia para dormir lá. Pela noite quase sempre acontece um singelo ritual dentro da igreja. Imperdível! Depois me conte...

3- (Km 67) Em Puente la Reina conheça Igreja de Santiago, também herança dos Cavaleiros do Templo de Salomão. Pintadas nas paredes do templo, note a versão ibérica da cruz templária.

4- (Km 89) Em Estella, suba uma colina (cinco minutos do albergue) e aprecie a vista panorâmica da cidade a partir da Igreja de Santo Domingo. Lá, de alguns anos para cá, uma boa parte dos peregrinos brasileiros pratica caridade. Se você quiser dar continuidade a esta tradição criada por um brasileiro em 1996, basta fazer um pequeno ato de amor: visite em um prédio colado a esta Igreja um abrigo de velhinhos. Fale para eles que você é peregrino e brasileiro. Tenho certeza que será uma experiência construtiva para você (como para eles).

5- (Km 91) Ao sair de Estella, depois de uma pequena elevação em uma zona residencial, há 2 rotas possíveis. Escolha a que desce pela esquerda, até o Monastério de Irache. Um pouco antes de chegar a esta abadia, no lado de fora de uma vinícola, conheça a Fuente del Vino, uma fonte com duas bicas. Em uma delas, água fresca. Na outra, puro vinho. E de graça. Imperdível.

6- (Km 96) Logo ao adentrar na vila de Ázqueta, você pode ter a sorte de conhecer o Sr. Pablito, um personagem do Caminho, que nas horas vagas dedica-se a presentear os peregrinos com cajados de madeira talhados por ele. Uma figura! Caso não o encontre, pode até (dependendo do horário) bater na porta de sua casa (todos do vilarejo sabem onde ele mora).

7- (Km 173) Em Azofra, conheça o albergue e sua incansável zeladora, a Senhora María Tobia. Ela certamente mostrará para você a singela Igreja de Nossa Senhora dos Anjos.

8- (Km 189) Na Catedral de Santo Domingo de la Calzada, aprecie a curiosíssima gaiola com um galo e uma galinha vivos dentro do templo. Se quiser ver onde se cria as aves da Igreja, é só dar uma espiada na lavanderia do albergue de peregrinos.

9- (Km 195) Na vila de Grañón, conheça um dos mais bonitos e autênticos albergues do Caminho. Este é um daqueles locais em que vale muito a pena pernoitar; onde você encontra o verdadeiro espírito peregrino. Participe da grande ceia dos peregrinos na estalagem (tudo gratuito). Após a missa, há um casual e inesquecível encontro dos andarilhos com o pároco do vilarejo. Nesta hora, você poderá anotar seu nome em um grande livro, onde os peregrinos que lhe sucederem, rezarão por você. Se lembrar, coloque meu nome lá também! Imperdível!

10- (Km 221) Em Villafranca Montes de Oca, no interior da Igreja de Santiago (que infelizmente fica a maior parte do tempo fechada...), aprecie uma pia de água benta bastante original: uma imensa concha marinha trazida das Filipinas.

11- (Km 223) Se você for pernoitar em Belorado, assista o pôr-do-sol a partir de um monte na parte oeste da cidade (bem atrás do albergue de peregrinos), onde há ruínas de um antigo forte. Belíssima vista panorâmica.

12- (Km 235) Em San Juan de Ortega, descubra o milagre da luz que ocorre lá nos equinócios.

13- (Km 263) Na cidade de Burgos (a maior do Caminho), não deixe de conhecer o centro histórico com uma das maiores Catedrais góticas da Europa. Lá, uma escultura de Jesus pregado na cruz carrega a lenda de que seus cabelos crescem a cada dia. Imperdível.

14- (Km 302) Em Castrojeriz, conheça o Consulado Brasileiro no Caminho, o bar-restaurante La Taberna, dirigido pelos amigos Tonho e Maria Jesus. Se você estiver com muita saudade de casa, peça para ver as fotos que eles tiraram em suas várias viagens ao Brasil. Mande por favor uma abraço meu para eles!

15- (Km 320) Belo e aprazível albergue de Boadilla del Camino. Pare lá nem que seja para um bom descanso (ou para fazer uma ótima refeição em seu restaurante). Eduardo, grande flautista, fará as honras da casa.

16- (Km 326) Em Frómista, visite uma das mais perfeitas igrejas do estilo românico, San Martín.

17- (Km 339) Em Villacázar de Sirga, conheça a igreja românico-gótica de Santa Maria, obra dos Templários.

18- (Km 385) Outra dica para os amantes da arquitetura: em Sahagún aprecie as igrejas de influência mourisca recobertas de ladrilhos, em especial, San Tirso.

19- (Km 395) Em Bercianos del Camino, é tradição os peregrinos reunirem-se para jantar após assistirem todos juntos o belíssimo pôr-do-sol na saída do vilarejo.

20- (Km 440) Em León, há 2 albergues. O meu preferido é o do Convento de Santa Maria del Carbajal, na Praça Santa María del Camino (centro histórico). Lá, ao cair da tarde os peregrinos são chamados pelas freiras para participarem de uma singela cerimônia com cânticos devocionais. Ainda nesta cidade, conheça a chamada Capela Sixtina do românico, com belíssimos afrescos do século XII, no museu da Basílica de San Isidoro. Também, visite a Catedral, um dos marcos do estilo gótico, com seus famosos vitrais.

21- (Km 496) Depois de Astorga, faça um ligeiro desvio da rota tradicional, entrando no povoado de Murias de Rechivaldo (a trilha normal vai pela esquerda sem passar na vila) para, dez minutos além, conhecer o belíssimo povoado de Castrillo de Polvazares, todo em pedra. Vale muito a pena!

22- (Km 512) Na vila de Rabanal del Camino, tente conhecer a Igreja octogonal Templátia de Santa Maria (pena que vive fechada...). Há pela noite missa com cânticos gregorianos na igreja da parte alta do povoado, ao lado do albergue.

23- (Km 516) É tradição secular dos peregrinos, ao passarem pela Cruz de Ferro, monumento localizado entre as vilas de Foncebadón e Manjarin, pegarem uma pedra nas redondezas e acrescentarem ao grande monte, marcando sua passagem. Um ritual muito antigo e carregado de simbologia. Obrigatório!

24- (Km 519) Manjarin: imagine uma cidade medieval abandonada no alto da montanha com só uma casa de pé (logicamente, o Albergue de Peregrinos...). Apesar de um pouco desconfortável (não há banheiro e são poucas as camas), vale a pena dormir lá (isto se você curte aventura e lugares exóticos tanto quanto eu...). Não deixe de mandar um abraço meu para Tomás, o hospitaleiro que cuida do local. Pergunte a ele de um brasileiro que em 1993 chegou no albergue às 04:00 da manhã (!) morrendo de frio e assustando a todos, logo apelidado de peregrino louco. Porém, se você decidir não passar a noite lá, tente chegar a Manjarin antes das 10h e tome um café oferecido por Tomás. Você ouvirá ótimas histórias e, quem sabe, poderá participar de um Ritual Templário (feito todos os dia, geralmente entre 10 e 12h). Verdade!

25- (Km 537) Em Molinaseca, se você for no verão aproveite as piscinas naturais (rio represado) do povoado. Passear de noite pelos inúmeros bares e restaurantes da vila é obrigatório! Mande um abraço meu para Alfredo, o responsável pelo bem cuidado albergue, um amigo dos brasileiros.

26- (Km 567) Em Villafranca del Bierzo fique atento: há 02 albergues na cidade. Um da prefeitura, novo e confortável, mas sem nenhuma personalidade. O outro, o tradicional Refúgio Ave Fênix, de Jesus Jato, um senhor que há mais de 30 anos acolhe os peregrinos em sua própria casa. Usualmente, pela noite ele faz um curioso ritual no refeitório do albergue, queimando ervas e álcool em uma vasilha de cerâmica, fazendo uma bebida fortíssima, o Orujo. Imperdível! Imperdível!! Imperdível!!!

27- (Km 596) Em Vega de Valcarce, há outro albergue (novo e impecável) onde os brasileiros são tratados como membros da família. Um bom local para quebrar uma etapa, descansando neste vilarejo para subir dia seguinte o Monte Cebreiro.

28- (Km 607) Desbrave o pequeno povoado de O Cebreiro, no topo da montanha de mesmo nome, com suas casas de pedra seguindo a tradição celta. Assista a missa na única igreja do povoado e descubra o Santo Graal dos Peregrinos. Fique atento para o horário do pôr-do-sol. Imperdível.


29- (Km 698) Em Melide, procure uma pulperia e deguste a especialidade local: polvos e vinhos.

30- (km 750) Imperdível: na Catedral de Santiago, procure descobrir com os que lá trabalham quando haverá a cerimônia do botafumeiro. Pode ser realizado 20 minutos antes das missas principais para grupos de turistas (que pagaram por isto), ou ao final da missa das 12h ( a Missa del Peregrino), o que é mais tradicional. Não deixe também de tocar a coluna central do Pórtico da Glória, dar uma abraço (literalmente) na estátua do apóstolo no altar-mor, e de visitar a singela cripta com os ossos do Santo.
Ainda na cidade de Santiago, pela manhã pegue um ônibus na estação (horários disponíveis na Oficina de Turismo, na Rua del Vilar, cinco minutos a pé desde a Catedral) e vá a Finisterre. Depois de visitar o povoado, tomar um banho de praia e se empanturrar de mariscos e peixes, percorra 4 quilômetros do vilarejo até o Cabo de Finisterre (uma imensa península que parece que será engolida a qualquer hora pelo Oceano Atlântico). É tradição os peregrinos queimarem, ao pôr-do-sol, algumas roupas que foram usadas durante a caminhada. Imperdível!

31- (Idem) Ooops... Não eram 30 dicas só?... Bem, vamos à 31a.: em Santiago de Compostela, não deixe conhecer o restaurante "Casa Manolo" (ao início da Rua de San Beito, na praça Cervantes, 5 minutos da Catedral), um verdadeiro ponto de encontro dos peregrinos. Também pudera: ambiente alegre, descontraído e o que é mais importante comida excelente e barata. Mande um abraço meu para o Manolo. Ah, outro restaurante que vale a pena conhecer chama-se Entre-Ruas (Ruela de Entre-Rúas, 02), localizado no fim da menor rua do mundo, onde o Sr. Francisco atende os aventureiros com um largo sorriso. Depois me conte!


Espero ter sido útil.

Levem minhas recordações ao Apóstolo.

Bom Caminho, amigos!

Guy Veloso


Obs- A quilometragem foi tirada do livro Guia del Camino de Santiago,
Editora El País Aguilar, 3a edição

 
Textos e fotos © Guy Veloso


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